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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Joel Xavier @Hard Club

Carimbo de entrada

Esta sexta-feira fui prendada com um concerto de Blues no Hard Club, Porto. Costumo ter alguma sorte em Passatempos, sobretudo se eles implicam o envio rápido de e-mails... começa a ser hábito que a participação resulte no meu nome na lista de vencedores, e desconfio que um dia que concorra e não vença vou sentir uma profunda desilusão ou acreditar seriamente que "falsificaram" os resultados. É como se tivesse adquirido um quase estatuto neste tipo de passatempos!! Brincadeiras à parte, o convite que veio em forma de carimbo, levou-me pela primeira vez ao Hard Club, depois de um dia todo a fazer arrumações em casa e em que a preguiça só não venceu, porque seria injusto ter ganho um convite e depois não ir, quando com certeza, muitos outros gostariam de lá estar. E ainda bem...
Conhecia o guitarrista de nome e de ter ouvido alguns comentários positivos, bem como de ter visto alguns vídeos no youtube.
Nenhum dos comentários ou vídeos faz jus aquilo a que tive o privilégio de assistir, sobretudo sabendo que se trata de um artista nacional, é um motivo de orgulho saber que naquele palco, a tocar daquela forma, estava um português.
Acompanhado por 2 músicos brasileiros, Markus Britto no baixo e Milton Batera na bateria, Joel Xavier que tocou com músicos como Herbie Hancock, Paquito d'Rivera e Chucho Valdés, deixou a plateia, em que me incluía, deliciada com a qualidade do espectáculo.
Sempre animado e de grande qualidade, o concerto manteve a plateia a dançar ou simplesmente e admirar o espectáculo musical.


No encore ainda fomos presenteados com "Hit the Road Jack...", música original de Percy Mayfield, que se tornou conhecida pela voz de Ray Charles e que todo o público fez questão de acompanhar de forma animada.
Joel Xavier, agradeceu ao Hard Club o convite e lamentou nestes 20 anos de carreira ter vindo tão poucas vezes ao Porto. Agradeceu também ao público e sem qualquer vedetismo, mostrou-se disponível para conversar, autografar CDs ou mesmo um papel a quem quisesse, bastava que o esperassem na entrada. 
Eu fiquei encantada com a forma simples e diria única como ele se mostrou acessível, não me lembro de ter assistido a um espectáculo tão magnífico e no final o artista se ter mostrado tão disponível. Apetece-me culpar as entidades responsáveis pela organização de concertos e distribuidoras por se esquecerem tantas vezes dos verdadeiros artistas neste país e os manterem "na penumbra" de grandes nomes internacionais que muitas vezes, ao vivo, só desiludem. 
Agradeço também eu ao Hard Club, pelo convite que recebi e sobretudo por ter trazido o Joel Xavier ao Porto. 
Obrigada!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Imprevistos


Quando acordamos de manhã, não há uma tendência natural de pensar que num ápice o que parecia tão certo pode mudar, assim de repente numa chamada, em várias mensagens, num email...
Eis que na minha semana de tranquilidade, acordo para mais um dia, assim quase sem preocupações... até que uma chamada me inquieta e embora sem certezas, me demonstre que um 3 pode facilmente passar a 2, sem que a contagem decrescente tenha o sabor de vitória.
O efeito do jantar da noite anterior que tão bem me soube, enraizou também a vontade que se tornou certa de quebrar com aqueles laços que mantemos por força do tempo, por força de um amor que há muito não se alimenta de nada a não ser de contínuos descuidos e empurrões... assim de repente não me apeteceu dizer-lhe mais nada, nem mesmo Adeus!
À hora do almoço o número 2 tornou-se certo e a desilusão era dupla, ou tripla... ficou um vazio que temos de preencher com ajuda do tempo que resta!
No final da tarde, a chamada esperada toda a semana ficou sem resposta... aquilo que já era certo não precisava de palavras muito menos das palavras de alguém que não se deseja mais ouvir. Restava preparar-me para o dia seguinte, para ir firme e segura ao local que me abriu em tempos uma porta, mas que hoje eu só quero colocar tijolos para fechar de uma vez por todas o acesso a algo que me fez tão mal durante este ano.
O ginásio trouxe-me alguma paz, quebrada por chamadas e mensagens inesperadas... corro de novo para chegar à Baixa com tempo... não consigo um lugar para estacionar... deixo o carro num passeio de Sta. Catarina... corro para o teatro antes que a bilheteira feche... passa a Polícia... paro até perceber que o meu carro fica livre de multa... converso com a S., sempre tão querida comigo... corro de novo e sem mais tempo, decido deixar o carro naquele passeio... entro na Fnac a abarrotar e sento-me na primeira fila ao lado de Fer e Fil... 5 minutos e Sara Tavares entra com a banda no mini palco e finalmente relaxei... sorri e dancei...
Foi a primeira vez que vi Sara Tavares ao vivo e fiquei rendida, linda, simpática, excelente a cantar e a tocar, a envolver cada pessoa ali presente, a fazer com que todos sentissem a sua música e as "Good, good vibes".
Um ponto de luz para o dia seguinte... tudo vai correr bem!

sábado, 10 de outubro de 2009

Seu Jorge


Porque há dias que marcam uma viragem este pode ser considerado um desses dias na minha vida...
Eis que este dia me deu que pensar vários dias antes, não fosse eu ter a sensação que independentemente daquilo que tivesse já planeado, este dia ia ser de opções que mudavam completamente o rumo dos acontecimentos.
Planos para dia 10 já tinha há mais de um mês... bilhetes comprados para um espectáculo e alguma impaciência em preencher os 3 lugares em falta...
Quando numa bela noite da semana anterior, estava eu a tentar resolver essa questão e a minha amiga Fer me diz, "Ah, nesse dia não! Vou com o meu pai ver Seu Jorge!". Bem, eu não sei que cara pus, mas foi algo entre o desânimo e a ânsia, já minha, de também ir.
Até àquele momento não sabia sequer que Seu Jorge cá vinha, mas já andava desde a última vez que cá esteve na Casa da Música a dar um concerto que toda a gente gabou, a desejar muito vê-lo.
Nessa mesma noite, sem ainda saber o que faria com aqueles 3 bilhetes, decidi ligar para a Fnac e reservar 2 bilhetes antes que esgotasse.
Nos dias seguintes tentei resolver as 2 questões, levantar os bilhetes na Fnac, que não foi fácil pois obrigou-me a ir lá uma segunda vez (pois na primeira eles não conseguiam levantar reservas) e devolver os outros 3 bilhetes que tinha, que embora me tenha pesado o acto, acabou por ser um gesto de compreensão do S. que me tirou o "peso da consciência".
Dia 10 chega, não sem antes passar por um grave crise de consciência e emocional no dia anterior, que me deu para uma sexta-feira à noite de pura introspecção e avaliação daquilo que tinha feito nos últimos anos.
Sábado acordei decidida a ganhar coragem e assumir a responsabilidade dos meus actos anteriores sabendo que isso poderia causar uma ruptura definitiva com aquela pessoa e com uma parte da minha história. Assumi o meu erro e pedi ajuda, mas em vez de ouvir recriminações, tive toda a compreensão possível.
Depois apenas entretive o tempo e a cabeça com afazeres domésticos até à hora do concerto. Jantei tranquilamente no japonês com a minha mãe e fui ter com os meus restantes "companheiros" de concerto que me fizeram rir logo à chegada!
Sim, posso dizer que me sentia feliz naquele momento, que o meu sorriso era sincero, que brinquei, que cantei e que dancei muito no concerto... que terminou (antes do encore) com a música dele que mais ouço "Tive razão"... e tive de perceber que o destino não poderia ser mais adequado naquele momento, a letra serviu-me na perfeição:

"Tive razão
Posso falar
Não foi legal, não pegou bem
Que vontade de chorar, dói
Em pensar que ela não vem, só dói
Mas pra mim tá tranquilo, eu vou zoar
O clima é de partida,
Vou dar sequência na minha vida
E de bobeira é que eu não estou,
E você sabe como é que é, eu vou
Mas poderei voltar quando você quiser!"

Eu sei que neste dia mudei completamente o meu rumo, quebrei uma base importante, assumi que iria viver uma nova fase e que teria de me adaptar da melhor forma a ela...sei que não tive outra alternativa e que pelo menos me sorvi desta forma, com uma resposta para tudo aquilo que não tinha capacidade de entender até então, por isso também sei, que se um dia voltar, eu já não serei mais a mesma!
Até sempre!