quinta-feira, 24 de maio de 2012

Walking in Doha...

Hoje de manhã acordei e fui ao Ginásio do meu prédio, fazer aquilo a que me andava a propor há alguns dias, exercício físico!
Uma manhã sem ter que estudar e 1h10 de exercício, tive a sensação que nasci de novo!
Tarde de treino (mental desta feita) e a percepção que vem aí mais uma fase complicada... Saber os textos "word-by-word"! Nesta altura é que percebo que se tivesse estudado representação tinha uma técnica apuradíssima que seria de bom proveito!! Mas não tenho... há que dobrar o esforço!
Para quebrar a rotina, o treino terminou mais cedo e chegar a casa às 19h é um presente que não se desperdiça, por isso troquei a roupa por algo mais casual, aproveitei o taxi da minha housemate e pedi ao taxista que me levasse ao Corniche.
Ao chegar ao Museu Islâmico vejo um edifício imenso com um desenho do artista Takashi Murakami, fiquei tão entusiasmada que o taxista perguntou se eu queria ficar por ali.
Respondi que sim... e começou aí a minha caminhada de cerca de 6 km com direito a prémio final: Milkshake de morango (algo raro para mim) e 2 mini samosas de vegetais, mais conhecidas por chamuças :)
Algumas fotos do passeio, que dada a distância inicial dos edifícios dá para perceber a distância que percorri.
Doha by night is really nice for those, who like me, love to walk. Can't wait for the next walk :)


Museum of Islamic Art

Al Fanar Islamic Center-Doha Qatar


Doha by night (close to the Museum)

Realize... Think...

Think
Doha by night #2
After 5 km walking
Doha Office Tower by Jean Nouvel
Agbar's Cousin

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Impressão digital ou "manual"?

Breakfast @ Costa
Hoje, mais uma vez, o dia começou cedo. Às 6h30 acordo, tomo um duche e produzo-me toda para ir tirar impressões digitais!
Procuro o "Mr. ..." que me entrega o passaporte (sim, já não o via há uma semana, quando fui tirar sangue (que ainda está bem visível, em tons arroxeados no meu braço) e fazer os raio-x! Burocracias do Médio Oriente!
É estranho ter o passaporte a circular por aí, por inúmeras mãos, mas nem vale a pena pensar muito.
Dirijo-me à sala 7 e encontro 2 mulheres vestidas de preto, o normal portanto: uma com a cara destapada, a outra só com os olhos visíveis.
Uma delas mandou-me sentar e de repente apercebo-me que a que a que tinha apenas os olhos à vista, gesticulava para o telefone... estava na presença de 2 mulheres surdas! A conversa não terminou sem antes ela virar o telefone para mim, para ME mostrar ao árabe com quem falava. Ele gesticulou algo como um "hello!" e eu fiquei sem saber bem como reagir. Não são coisas que me aconteçam todos os dias...
Depois lá vamos tirar a fotografia (que às 7h da manhã ficou assustadoramente mal) e as impressões das duas mãos, inteiras... Não há margem para dúvida, até pelo canto direito da minha mão esquerda, serei identificada!
Com alguma estranheza denoto o sorrir dela, mesmo sem o ver... as coisas que se apreendem em tão pouco tempo!
Enquanto aguardo a minha colega Coreana na sala de espera, desce um homem com o seu thobe e gutra e fico impressionada com o impacto visual... Uma cara linda, alto, com presença e por instantes esqueço-me que é árabe! Ufa, acho que é o calor que me está a fazer mal!
De seguida fomos ao "COSTA" comprar o pequeno almoço, alegria da minha manhã. Aproveitei para tomar um pequeno almoço continental, Capuccino Costa, com o belo do croissant. De repente senti-me em Portugal, eu sei que o croissant não é algo tipicamente português, mas dado o pão doce que quase todos os dias tenho de comer, este foi o pequeno almoço mais "familiar" que tive desde que cá cheguei.
Agora vou dormir um pouco mais, porque a cabeça pede algum descanso. 
Vamos a ver se ainda consigo acordar a tempo de ir ao ginásio antes do curso... 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Souq Waqif



Middle East Fashion
Poor birds... they are real!!! 
Life is all about this
Le Gourmet, dinner time



terça-feira, 15 de maio de 2012

Doha, one week



Embora me sinta a correr contra o tempo e me sinto "perdida" cada vez que olho para o livro que tenho à minha frente e que tenho que estudar, decidi tirar 10 minutos para fazer aquilo que me têm pedido.
Sim, porque é a força da minha família e amigos que me deixa sempre com o coração cheio e me faz sorrir, "mesmo quando os dias não correm tão bem". Obrigada!!

Por aqui continuam os 40ºC do costume, com o tempo acabamos por nos habituar à temperatura e a usar o belo do blazer ou da echarpe ainda assim. 
Entre o calor e os olhares, prefiro o calor.

Ao fim de uma semana e da correria dos treinos, parece que estou aqui há uma eternidade. Sem falar das saudades de todos, o que me tem feito mais falta é o pão de Portugal... "weird?! might be!! but well..."
Aqui ao redor só encontro pão doce ou com especiarias, porque sim, estou rodeada de indianos e paquistaneses. O prédio onde estou, embora tenha ginásio é numa zona pouco recomendável. 
Bem, mas voltando ao pão, estava já a perder a esperança, quando hoje, numa ida ao Carrefour do Villagio encontro Pão de Portugal!! :) O que quer que seja pareceu-me bem e ainda me soube melhor. 

Villagio em Doha "as nice as it looks"

O shopping é belíssimo, com uma parte só para as grandes marcas como Louis Vuitton, D&G, Prada and so on. É óbvio que nem lá passei... o loja mais cara que pisei foi a MAC para comprar o meu "Dare You"... ossos do novo ofício!



Devido ao grande número de indianos em Doha e especialmente ao volante, a condução daqui faz-me lembrar a Índia, embora nunca lá tenha ido! Aquela sensação, "já vi isto em algum lado", persegue-me! Faz-me questionar a minha capacidade de um dia conduzir por esta bandas, mas eis que já pude testar o meu sentido de orientação nesta fantástica cidade.
Saio eu do Villagio, com vários sacos de compras que incluiam este vestido a que não consegui resistir e aparece-me um Karwa (taxi).

Ele ajuda-me com os sacos e digo-lhe logo o endereço, ele faz que sim com a cabeça, dando-me a entender que sabia perfeitamente. Antes de ele arrancar digo-lhe que não pago mais de 30QR ao que ele acede e lá vamos nós.
A certa altura reparo que ele devia ter virado num semáforo que me era familiar e nesse momento ele diz-me algo do género "Right, ya!" e gesticula com o braço para a direita e eu "Não, devia ter virado à esquerda." 
Depois vejo outra saída à esquerda e digo-lhe "Pode sair naquela, também vai lá ter". Ele chega-se para esquerda e em vez de seguir à esquerda faz inversão de marcha... 
Começo a ficar sem paciência até que ele me diz "Me, no english!"
Sim, até aí eu já tinha percebido, mas se não sabia a morada e não sabia inglês, qual foi a ideia em ter-me trazido?!
Enfim, disse-lhe para parar e perguntar a alguém porque a certa altura até eu me sentia perdida! Nada!! Ele nem isso percebia, até que lhe berrei "STOP!" e ele lá percebeu! Perguntei a outro árabe que pouco percebia mas que me conseguiu dar a direção pelo menos e fui eu que descobri o caminho para casa.
Parece impossível, que até em Doha e depois de uma semana eu tenha de dar indicações na estrada! LOL
Outra boa notícia foi que a minha outra mala já chegou e já não me sinto tão "despida". Mas nem quero falar do transtorno que tive ontem por causa da dita cuja. Resumindo e concluindo, tudo acabou bem!!

Agora vou estudar, porque por aqui, nos próximos 2 meses é o que se faz de melhor.
Miss you all!!

Nota: desculpem a falta de edição, mas isto tem mesmo de ser corrido. Desculpem também a falta de resposta, mas é mesmo por falta de tempo.

sábado, 12 de maio de 2012

Next to me

"Next to Me" de Emeli Sandé foi a primeira música que me recordo de ter ouvido assim que cheguei a Doha, há uma semana atrás!



"when the skies are grey and all the doors are closing
and the rising pressure makes it hard to breathe
well, all i need is a hand to stop the tears from fallin"

domingo, 6 de maio de 2012

New Life



E foi com esta bolsa da Qatar Airways que tudo começou. Não estaria neste momento a fazer escala em Milão e com destino final em Doha, se não tivesse recebido esta bolsa no Verão passado.
Graças a ti F. a curiosidade pela melhor companhia aérea do Mundo cresceu e candidatei-me às vagas para Cabin Crew em Outubro. Obrigada!

Não voltei a pensar nisso até Fevereiro quando a Qatar me enviou um e-mail para ir ao Open Day no Porto.
Lá fui tirar as fotos que pediam, preparei o CV em Inglês e por curiosidade fui ao Open Day. 
Sempre pensei que não ia passar as fases de selecção até porque, confesso, a curiosidade era maior do que a vontade de ir. 
A apresentação da Companhia vem com todas as restrições do dia-a-dia e a consciência plena que se trata de um país árabe (com todas s restrições que isso implica)
Pois bem, o número "27" foi chamado ata à última etapa! A partir dali era aguardar pelo veredito final durante algumas semanas.
E chegou, 5 semanas depois, com resposta positiva, depois de algumas exigências e da minha teimosia em levar isto até ao fim.
Por essa altura, já estava devidamente informada e sentia que de alguma forma isto me estava destinado.
Fase 2: exames médicos. Outra etapa complicada, com alguns percalços e muita persistência.

E finalmente a resposta em forma de "Get ready, your life is about to change"
3 semanas para passar o trabalho, reuniões, comprar roupa, tratar de documentos e alterações, fazer malas, pensar no que posso trazer e especialmente naquilo que não posso trazer.
De repente estou de malas feitas, deixo a casa onde vivi nos últimos 5 anos e embora a saudade de tudo e de todos seja grande, a vida é feita de desafios!
Ficar na zona de conforto é muito mais fácil do que largar tudo e mergulhar no desconhecido. Mas enfim, esta sou eu, a aventureira!!


E assim começa uma nova fase da minha vida, viagem do Porto para Milão, num Embraer da PGA com turistas brasileiros e em que eu em pé, tocava com a cabeça no teto.


Em Milão, check in de novo, almoço rápido e espera pela próxima partida até ao destino final: Doha.



Enquanto aguardava, lia o texto que e minha sister me tinha escrito e sentia já algumas saudades de casa e daquilo que deixei, mas tive plena consciência que a minha opção foi "mudar de vida" e não voltaria a trás, por isso, senti-me em paz.
No avião percebo que vou ficar ao lado de um árabe e rodeada de outras tantos! Fiquei apreensiva, apenas e só pelo cheiro peculiar do homem que estava mesmo ao meu lado, mas a viagem correu bem e ele foi inclusivamente muito prestativo nas pequenas coisas que eu não consegui fazer à primeira. LOL

Chegada a Doha, o calor foi a primeira coisa que senti, depois entrei no aeroporto e numa imensa sala da imigração tudo em tons claros, com homens usando o seu "thoub". Sem margem para dúvidas, entrei numa outra realidade.
Nenhum dos oficiais de imigração tinha outra roupa e a verdade é que para minha enorme surpresa, fiquei estupefacta por ter olhado para alguns e achá-los mesmo muito bonitos, especialmente o que me atendeu. Confesso que não estava à espera!! Acho que fiquei uns segundos especada a pensar nisso, até que ele me repetiu pela segunda vez para me colocar na posição da foto para verificação do passaporte.
Na verdade, esta foi apenas a primeira vez em que fiquei a pensar nas diferenças.

Imensas mulheres vestidas de negro da cabeça aos pés, inclusive a rapariga que nos levaria a casa mais tarde, ignorando os 32ºC que faziam lá fora às 23h30.

"Welcome to Hell... and Summer  heat hasn't arrived yet!" Nem sei bem o que pensar disto e da descrição do dia em que ela de saltos sentiu o sapato enterrar-se no alcatrão tal era o calor! 

Quando cheguei à minha nova casa, onde viverei com uma Mexicana e uma indiana sentia-me exausta.

Fui tomar um duche e apercebi-me tive outro momento "Welcome to Doha! The city where there's no such thing as cold water during summer" e ainda não é Verão.

Deitei-me às 3h da manhã, não sem antes ouvir a cântico que chama os muçulmanos para orarem na mesquita a essa mesma hora.

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Acordo às 5h da manhã com a obra em frente a minha casa... tento adormecer de novo e acordo às 9h. 

Confesso que a visão em frente ao meu prédio não é das melhores, mas esta obra faz-me lembrar Portugal. Um trabalha e os outros 3 ficam a olhar no meio daquela poeira...

Depois de conhecer as minhas companheiras de casa, fui ao shopping comprar bens essenciais com uma das minhas novas colegas de turma.

 


O meu primeiro almoço foi no Nando's (City Center Shopping), que como o cartaz indica se intitula português, mas como se pode ver na foto, a comida não parece nem sabe ao "meu país".

Depois de devidamente alimentada, lá fomos ao Carrefour, onde fui assediada por um árabe que queria a toda a força namorar comigo porque, segundo ele, " you are very nice and beautiful". Até que chega a derradeira questão "You don't wanna date me because I'm an Arab or because I'm not handsome?!" I just said "No, it's just because I don't want to, now leave me alone." 
E aprendi a lição, tapar bem os braços pode evitar maiores problemas, embora estivesse de T-Shirt.


Depois de horas nas compras e de ter encontrado já um motorista "particular", estava na hora de descansar.

Os próximos 2 meses não vão ser fáceis. 

terça-feira, 10 de abril de 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

New Beginnings



One week away from trouble, one world away from bad things...
I'm surrounded by true friends, real people... and I'm truly happy! 
So let's celebrate!! It's Monday, tomorrow I'll be live on TV and everything is gonna be alright!
Cheers to new beginnings!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Peace is priceless... Cheers to That!

Friday, I'm gonna party!! 


It's been a week I  since my life changed completely and I can say it was for the best, so tonight I'll Cheers to that!


Last weekend I had that moment "I heard you're a player. Nice to meet you, I'm the coach!"  It was impossible for me, knowing I was dealing with an agressive and sick liar for 8 months, to leave without teaching him a lesson. I don't regret anything I did!


I would never believe that someone could be so Evil, if I haven't seen... As a sensitive person, it still shocks me, but every day, I'm one step away from it and it just feels so distant and definitely it feels soooooooo good!! 


Good luck for all those girls paying* to see it...


*really paying for it!!


quinta-feira, 29 de março de 2012

I meant it

and now you know it!! :)


P.S. I Love my Friends, they always find a way to make me laugh! This is just so perfect! LOVE YOU F.R.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Fire runs through my body...

... with the pain of loving you.
Pain runs through my body with the fire of my love you.
Sickness wanders my body with my love for you.
Pain like the boil about to burst with my love for you.
Consumed by fire with my love for you.
I remember what you said to me. i'm thinking of your love for me.
I'm torn by your love for me
Pain and more pain. Where are you going with my love?
I'm told you will go from here.
I'm told that you will leave me here.
My body is numb with grief!
Remember what i've said my love.
Good bye my love, good bye."

domingo, 11 de dezembro de 2011

O Fio da Vida




O Fio da Vida


Já madruguei nos teus braços
Toquei-te a boca num beijo sem fim
Já foste minha nesse sonho que acabou
Já foste a luz que agora o tempo apagou

E se essa luz me afagava 
De cada vez que passavas por mim
Agora queima-se o pavio deste amor
Fecha-se a porta pra tentar fugir à dor


É só poeira

Da caminhada que eu já fiz
Vou-me afastando
Do sonho aonde fui feliz

Ando perdido
Como um amante sem lugar

A vida acaba mesmo sem antes começar
aqui


Eram os teus lépidos olhos

Que davam corda ao meu coração
Agora encosto-me à saudade de nós dois

Abro a janela para a luz que vem depois


É só poeira
Da caminhada que eu já fiz
Vou-me afastando

Do sonho aonde eu fui feliz

Ando perdido
Como um amante sem lugar
A vida acaba mesmo sem antes começar
aqui
Rodrigo LeãoA Montanha Mágica


Sinto-me perdida numa história que parecia retirada de um filme mas que foi sendo moldada ao longo do tempo, por pequenas mentiras que hoje me afastam do sonho onde fui feliz.
O encantamento foi-se esvaindo a cada dia e restam as lembranças felizes para afagar o meu coração.
Queimaste o pavio do nosso amor e na busca da verdade, continuo o caminho, acreditando que como nos filmes, os vilões serão descobertos e os heróis vão encontrar o verdadeiro amor para dar continuidade ao "fio da vida".

terça-feira, 14 de junho de 2011

Isto não é um Adeus...

 ... mas um até sempre! 
No meu coração haverá sempre um espaço que lhe pertence...
Hoje não vou poder estar presente no seu último instante, mas agradeço-lhe por tudo o que me deu e nunca esquecerei, por me ter feito ter ainda mais gosto em ler e me ter ensinado a amar a Língua Portuguesa, por me ter feito gostar dos Maias e contribuído para eu tirar um 18 no Exame Nacional, por nos ter esperado no final do exame para saber como nos tínhamos saído, pelo diminutivo carinhoso que usava para me chamar... por me ter ajudado sempre em tudo!
Alguém assim, não devia partir, devíamos ter todos os privilégio de privar sempre consigo.
Obrigada por todos os momentos e sobretudo, obrigada por ter feito parte da minha vida, Professora Ivone.


"A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.
E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto."

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os lenços... e as 7 formas de os usar




Hoje descobri este vídeo e não quis deixar de o publicar aqui... sempre que precisar, saberei onde encontrar :)

quarta-feira, 11 de maio de 2011


Um passo, todos os dias dou mais um passo para longe de alguém, para mais perto de outro alguém, mas sobretudo, dou mais um passo, certa de que melhor ou pior, foi o caminho que escolhi.
Nem sempre é fácil não mudar a direcção, não querer voltar a atrás e procurar aquela pessoa que durante tanto tempo fez parte da nossa vida. Mentiria se dissesse que sim! Mentiria se dissesse que não há momentos em que me lembro dessa pessoa, mentiria se dissesse que essa lembrança não me traz uma saudade que dói, que aperta, que ainda magoa. Mas na verdade, depois que tomei este rumo, essa saudade não passou de alguns momentos dispersos no passar dos dias, até há pouco tempo...
Durante muito tempo estive desligada e confesso que a última sensação que ficou naquele lobby do hotel, foi de que nunca mais iria olhar para aquela cara e nunca, mas mesmo nunca mais, iria sentir falta daquela pessoa. 
A verdade é que é muito mais fácil para alguém que tem companhia seguir em frente, do que para alguém que vai continuar o seu percurso sozinho... é preciso ter força para manter na cabeça aquilo que nos fez afastar e nunca buscar sequer uma desculpa para ter qualquer tipo de contacto. Sinto um imenso orgulho por ter conseguido, sinto-me grata pela distância e por tudo o que conquistei, mas se há coisas que por mais que a distância nos iluda não nos abandonam, são os sentimentos e as lembranças quando verdadeiros.
Neste último mês e depois de muito tempo, excluindo como é óbvio as recordações pontuais, voltei a sentir um aperto que só associo às lembranças desse alguém e à sensação irremediável de perda. Como se algo me tivesse sido tirado novamente e  tivesse sido levado para longe e por mais que eu fite o pensamento com o "está tudo bem, esse pedaço já não faz falta" a dor no peito mantém-se, irremediável e persistente.
Não sei o porquê desta sensação e muito menos consigo explicar que diferença fará esse longe ou perto, esse hipotético afastamento, daquilo que na verdade pensei estar já tão longe... 
Nunca entendi os pressentimentos que tinha, assim como nunca os consegui controlar e evitar que fossem tão certos, apesar do mau estar que me causavam.
Esse mau estar ronda os meus últimos dias, como uma melga nas noites de verão em que estamos quase a adormecer e o zumbido nos desperta de novo... e como sempre, eu procura na escrita, a cura para a angústia, como se fosse um soporífero para a alma.
Só com a distância do tempo nos apercebemos que alguns sentimentos não nos vão abandonar por mais que nos esforcemos; que existem pessoas que marcam a nossa vida de forma tão profunda que não existe borracha ou corrector eficaz para as apagar completamente; que é normal sentir saudades e que nenhuma pessoa poderá substituir, alguém que não escolhemos amar, mas amamos mesmo com todos os seus defeitos. E por vezes, essa pessoa tão imperfeita que olhamos como se fosse o poço de virtudes capaz de tornar todos os nossos dias felizes, afinal não era para nós.
Então, resta-nos agradecer o facto de conseguirmos ver isso, entender essa inevitabilidade com o coração e ter força para dar todos os dias mais um passo, mais um passo na direcção de um imperfeito que nos seja destinado.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Bamboo Blues

Para mim, os vestidos de Shantala e mesmo a sua imagem foram o meu guia para a Índia. Maravilhada, Encantada, Arrebatada, Apaixonada, foi assim que fiquei ao assistir a este espectáculo, em que durante toda a primeira parte não consegui tirar os olhos do palco. Pina, obrigada pelos momentos de rara beleza que continua a semear pelos cantos deste mundo!


"É uma certa Índia, uma possibilidade de Índia. Porque não é possível definir tamanho país, nas suas brutais diferenças e contradições, o Tanztheater Wuppertal focou-se nas sensações e impressões colhidas em residências artísticas em Calcutá e Kerala – odores, cores, sabores – para traçar o retrato pessoal de uma cultura sobre a qual “sabemos tão pouco”. Depois das peças “topográficas” sobre Palermo, Lisboa, Istambul ou Tóquio, e antes da derradeira produção em Santiago do Chile, em 2009, Pina Bausch deixou uma síntese da Índia contemporânea e das tradições ancestrais, como a mitologia ou a dança clássica indiana. Shantala Shivalingappa destaca-se, com os seus solos, do conjunto de 16 bailarinos, que dão corpo a uma coreografia vibrante, de intensa fisicalidade, com velozes movimentos de pés. Com um fino humor (em que múltiplas ventoinhas convivem com simulações de elefantes), uma disposição optimista (apesar dos conflitos e do absurdo) e a comicidade e inspiração de elementos locais (como os panejamentos ou os bambus), Bamboo Blues convoca Talvin Singh e a Bombay Dub Orchestra com o mesmo à-vontade com que introduz uma foto de um casal de estrelas de Bollywood. A nota dominante, porém, é melancólica, como o próprio título sugere. Nostalgíndia?" TNSJ

domingo, 1 de maio de 2011

La Prima Cosa Bella


Um filme que coincidou com o Dia da Mãe em Portugal e que se deve guardar pela força, garra e alegria desta mãe, que mesmo após algumas situações humilhantes recebia os filhos com aquele sorriso e ar leve de alguém que acabou de os levar ao parque para comerem um gelado.
Também nos faz pensar na beleza de todas as boas mães, que mesmo quando os anos pesam e a rugas tomam conta do rosto, das o e a doença lhes rouba aos poucos a vitalidade de outrora, o olhar terno e cheio de amor está ali, em cada pestanejar e em cada lembrança e na certeza, de que aconteça o que acontecer esse amor é incondicional.
 "Porque a infância só é feliz a posteriori, quando já é memória como a própria fotografia do filme é bela quando retrocede."

Realização: Paolo Virzì
Argumento: Paolo Virzì , Francesco Bruni e Francesco Piccolo
Elenco:
Valerio Mastandrea, Micaela Ramazzotti e Stefania Sandrelli

O que significa ter uma mãe belíssima, cheia de vivacidade, frívola e perturbadora? Esta é a angústia que desde sempre acompanhou Bruno, filho primogénito de Anna. No Verão de 1971, Anna fora coroada “a mais bela mamã” na estância balnear mais famosa de Livorno. Presentemente de relações cortadas com a sua cidade natal, Bruno é chamado pela irmã, Valéria, pois talvez seja a última oportunidade para ver a mãe com vida, dado esta estar internada nos cuidados paliativos. Aquela mãe explosiva, ainda bela e cheia de vida, contrariando todos os prognósticos médicos, parece não ter qualquer intenção de morrer. O reencontro ao fim de tantos anos força Bruno a recordar as vicissitudes familiares que quis a todo o custo esquecer. O resultado é uma reconciliação inesperada: a última lição de vida e de confiança no prazer de viver, desta mãe desconcertante e especial.