sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Breve Sumário da História de Deus

Fonte

Sexta-feira, 21h30 (mais coisa, menos coisa, porque há coisas que já não são o que eram) no Teatro Nacional S. João, começa a desenrolar-se o Breve Sumário da História de Deus.
Surge um anjo que era tudo menos terrível, como havia sentenciado Rilke em 1923. A sua voz entrava no ouvido e chegava ao coração, não fossem as palavra difíceis de descortinar (pelo português "denso").
Procurei nas personagens que surgiram no desenrolar da história, o que mais poderia ter significado para mim nos dias de hoje e sem menosprezo a todos os que existiram e continuam a fazer parte da história, escolho o Tempo.


"E a ti, porém,

manda-te, Tempo, que temperes bem,
este relógio que te dou das vidas
e como as horas forem compridas
de que fez mercê a vida d'alguém,
serão despedidas."

É com ele que o Mundo e Morte se reúnem e ditam aquilo de que é feita a vida de todos nós. É ele que traz a Morte.


"Homem de molher nascido

muito breve tempo vive miserando
e como flor se vai acabando
e como a sombra será consumido."

Lamentou Job, tão conhecido pela sua paciência (Paciência de Job).


O Tempo é também referido em várias passagens da Bíblia, como no Salmo 90, Oração de Moisés:
"(...)Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite.
Tu os levas como corrente de água; são como um sono; são como a erva que cresce de madrugada; de madrugada, cresce e floresce; à tarde, corta-se e seca.
Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor somos angustiados.
Diante de ti puseste as nossas iniquidades; os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto.
Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro.
A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos.
Quem conhece o poder da tua ira? E a tua cólera, segundo o temor que te é devido?
Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio.
Volta-te para nós, SENHOR; até quando? E aplaca-te para com os teus servos.
Sacia-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos e nos alegremos todos os nossos dias.
Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal.
Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória, sobre seus filhos.(...)"

E que possamos temperar as nossas vidas com um grande número de coisas boas, que sejamos felizes e façamos aos outros bem, que sejamos fiéis sobretudo a nós mesmos e acreditemos que o Tempo nos ensinará que precisamos passar pelo mau para reconhecer o bom.
Devemos, no entanto, seguir a jornada neste Mundo, agindo
"de tal maneira que os anjos tenham alguma coisa para fazer." (Kafka)
O final da peça, foi belíssimo...

com alguns excertos de Jorge e Pedro Sobrado retirados do Manual de Leitura da peça

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

We're like water and a flame...



A questão não está em seguirmos o caminho mais fácil, mas em seguir aquele que de alguma forma nos fará sofrer menos.
É indiscutível que me sinto triste, porque deixar ir um pedaço de nós, deixa sempre um vazio por preencher, uma saudade, uma vontade de ter feito mais e a desilusão de nunca ter sequer tido essa oportunidade!
Estava num cárcere e o único consolo era a tua voz, ora alegre e aconchegante, ora recriminatória e agressiva!
Se olhar para trás e ler as coisas que escrevi ao longo dos anos, vejo que sempre foste isso... eu apenas me tornei menos tolerante ao sofrimento e às desilusões que me causaste!
Não quero nada além da lembrança feliz... apenas não quero mais ter-te na minha vida!
I look away... and I will be good...either way!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

São fases...

Fonte

Senti que precisava de um tempo, senti que as palavras não saíam da mesma forma, a minha alegria não era a mesma e até a tristeza se tinha transformado em algo que desconhecia. Senti que queria escrever, mas os meus pensamentos começavam a atropelar-se, até que parava e decidia sempre, por dias e dias, não escrever uma única palavra.
Limitei-me a ler o que os outros escreviam, a sublinhar o que me interessava, a viver como podia, a sorrir por vezes, a chorar muitas vezes e a deixar que o tempo ajudasse a suavizar as angústias e me ensinasse que as fases da vida, as boas e as más, têm uma determinada duração e que cabe a cada um fazer o melhor que puder para mudar para o estado que nos faz sentir melhor.
Para quem me conhece,
é indiscutível, que o meu melhor estado, é a alegria e o sorriso estampado no rosto, não só porque é isso que me faz feliz, mas também porque assim transmito aos que me rodeiam algo de bom. A minha forma irónico-sarcástica de reagir às adversidades vai-se mantendo, embora precise ainda recuperar um pouco a velha forma. O bem-estar também chega, com os seus altos e baixos... até que me retenho num pensamento "um dos meus sonhos está perto de ser realizado!", parece que aí tudo muda e só me sei sentir bem e feliz...
Ontem o Mister disse-me que eu era um "livro fechado", "uma caixinha cheia de surpresas"... sim, talvez seja, mas sou acima de tudo sincera naquilo que digo, não finjo ser o que não sou, mas às vezes sou aquilo que não devia ser!
Todos nós, passamos por fases em que não nos reconhecemos... eu passei por essa fase, mas volto a encontrar-me comigo e sei que apenas quero continuar a ser aquilo que sempre fui!
Aprendi com cada acto meu, com cada pedaço de dor, com cada lágrima, com cada abraço que recebi, mas sobretudo aprendi a aceitar a "derrota", e a aceitar que às vezes não é mesmo a altura certa para vivermos algo ou às vezes aquela não é a pessoa certa.
No entanto, o que de mais importante recebi depois de tudo, foi a compreensão e a noção da grandeza do sentimento que partilhava com alguém, nunca pensei que pudesse ser tão sincera, transparente com alguém, ao mais profundo de mim, nunca esperei partilhar tudo aquilo e sentir o aconchego que senti. Fica alguma tristeza por tudo aquilo que nunca mais poderá ser, mas sigo muito feliz, por tudo aquilo que um dia foi e que não poderá ser igualado.

"Pode sempre explicar-se o drama de uma vida através da metáfora do peso. Costuma dizer-se que nos caiu um fardo em cima. Carregamos com esse fardo, suportamo-lo ou não o suportamos. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos."

Assim como aconteceu com Sabina no livro do Kundera, o que se abateu sobre mim, não foi um fardo, mas a insustentável leveza do ser!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Emília Galotti

Agora posso dizer, voltei ao teatro!
Apesar da atribulação e falta de tempo, consegui reunir 10 pessoas para assistir à estreia de Emília Galotti, melhor dizendo 9, além de mim!
Gostei muito da peça e senti que já estou na fase de voltar a apreciar isto realmente...
Aqui fica o"doce".
"Do mesmo modo, e apesar das explicações apresentadas, não podemos evitar questionar o valor de um suicídio virtual ou homicídio invocado em prol da preservação da virgindade.
(...)
Para além das cegueiras e da própria obscuridade dos comportamentos das suas personagens, esse movimento faz reinar uma impiedosa lucidez. No fim de contas, todos jogam às claras.
A razão ensina‑nos que várias podem ser as vias seguidas pelo destino mas que o
fim é apenas um e nada interessa o ponto de partida daquilo que é inevitável.
A mesma razão te aconselhará a morrer, se possível, do modo que te agradar, se não, do modo que for viável, isto é, a aproveitar a forma de suicídio que as circunstâncias te depararem. Se é imoral viver impetuosamente, morrer num ímpeto, pelo contrário, é admirável!
"
Lúcio Aneu Séneca
Cartas a Lucílio. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1991. p. 271

domingo, 18 de outubro de 2009

Quando me amei de verdade:

Ministério das Finanças, Dezembro 2008

... compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exacto. E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome, auto-estima.

... pude perceber que a minha angústia, o meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou a ir contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é ser autêntico.

... parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo a isso amadurecimento.

... comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é respeito.

... comecei a livrar-me de tudo que não fosse saudável…pessoas, tarefas, crenças, tudo e qualquer coisa que me colocasse para baixo. De início, a minha razão chamou a essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama amor-próprio.

... deixei de temer um tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projectos
megalómanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é simplicidade.

... desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a humildade.

... desisti de reviver o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, mantenho-me no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é plenitude.

... percebi que a minha mente me pode atormentar e decepcionar-me. Mas quando eu a coloco ao serviço do meu coração, ela torna-se uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é saber viver.

texto de Kim e Alison McMillen adaptado

Ainda tenho de subir algumas escadas para lá chegar, mas hei-de ser forte.

sábado, 10 de outubro de 2009

Seu Jorge


Porque há dias que marcam uma viragem este pode ser considerado um desses dias na minha vida...
Eis que este dia me deu que pensar vários dias antes, não fosse eu ter a sensação que independentemente daquilo que tivesse já planeado, este dia ia ser de opções que mudavam completamente o rumo dos acontecimentos.
Planos para dia 10 já tinha há mais de um mês... bilhetes comprados para um espectáculo e alguma impaciência em preencher os 3 lugares em falta...
Quando numa bela noite da semana anterior, estava eu a tentar resolver essa questão e a minha amiga Fer me diz, "Ah, nesse dia não! Vou com o meu pai ver Seu Jorge!". Bem, eu não sei que cara pus, mas foi algo entre o desânimo e a ânsia, já minha, de também ir.
Até àquele momento não sabia sequer que Seu Jorge cá vinha, mas já andava desde a última vez que cá esteve na Casa da Música a dar um concerto que toda a gente gabou, a desejar muito vê-lo.
Nessa mesma noite, sem ainda saber o que faria com aqueles 3 bilhetes, decidi ligar para a Fnac e reservar 2 bilhetes antes que esgotasse.
Nos dias seguintes tentei resolver as 2 questões, levantar os bilhetes na Fnac, que não foi fácil pois obrigou-me a ir lá uma segunda vez (pois na primeira eles não conseguiam levantar reservas) e devolver os outros 3 bilhetes que tinha, que embora me tenha pesado o acto, acabou por ser um gesto de compreensão do S. que me tirou o "peso da consciência".
Dia 10 chega, não sem antes passar por um grave crise de consciência e emocional no dia anterior, que me deu para uma sexta-feira à noite de pura introspecção e avaliação daquilo que tinha feito nos últimos anos.
Sábado acordei decidida a ganhar coragem e assumir a responsabilidade dos meus actos anteriores sabendo que isso poderia causar uma ruptura definitiva com aquela pessoa e com uma parte da minha história. Assumi o meu erro e pedi ajuda, mas em vez de ouvir recriminações, tive toda a compreensão possível.
Depois apenas entretive o tempo e a cabeça com afazeres domésticos até à hora do concerto. Jantei tranquilamente no japonês com a minha mãe e fui ter com os meus restantes "companheiros" de concerto que me fizeram rir logo à chegada!
Sim, posso dizer que me sentia feliz naquele momento, que o meu sorriso era sincero, que brinquei, que cantei e que dancei muito no concerto... que terminou (antes do encore) com a música dele que mais ouço "Tive razão"... e tive de perceber que o destino não poderia ser mais adequado naquele momento, a letra serviu-me na perfeição:

"Tive razão
Posso falar
Não foi legal, não pegou bem
Que vontade de chorar, dói
Em pensar que ela não vem, só dói
Mas pra mim tá tranquilo, eu vou zoar
O clima é de partida,
Vou dar sequência na minha vida
E de bobeira é que eu não estou,
E você sabe como é que é, eu vou
Mas poderei voltar quando você quiser!"

Eu sei que neste dia mudei completamente o meu rumo, quebrei uma base importante, assumi que iria viver uma nova fase e que teria de me adaptar da melhor forma a ela...sei que não tive outra alternativa e que pelo menos me sorvi desta forma, com uma resposta para tudo aquilo que não tinha capacidade de entender até então, por isso também sei, que se um dia voltar, eu já não serei mais a mesma!
Até sempre!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Emptiness

Hoje acordei com a sensação de ter perdido alguma coisa durante o sono, algo que acaba por não ser nada em concreto, mas que ao longo da manhã continua a deixar-me a sensação de vazio naquele espaço ocupado apenas pela "sensação". Como uma mancha que se alastra, a sensação cresce e torna tudo cru e sem sal, incluindo o próprio sorriso. Recordo-me por isso, de ter falado no início da semana com uma pessoa que por vários motivos marcou a minha vida e de ele me dizer que passou várias vezes em frente a minha casa no pouco tempo que cá esteve e que um dia não aguentou e tocou à campainha! Tocou na campainha certa, mas nesse preciso instante, ficou na dúvida e tocou em todas. Eu estava em casa e recordo-me perfeitamente do dia em que mais uma vez pensei "Lá estão os gajos da Meo a chatear outra vez!". O meu visor desliga-se automaticamente assim que a pessoa toca noutra campainha e não senti curiosidade em ver de novo. E ele foi... sentindo-se ridículo por ter lá ido... eu fiquei... sentindo que um dia vai ser bom ser surpreendida dessa forma! A verdade é que o tempo não pára e já lá vão mais de 10 anos... mas a sensação, que não é amor, mantém-se, a vontade de ver, de falar, de estar! Nunca ninguém me deixou uma sensação tão avassaladora e de paixão como esta pessoa que já fez tantas "loucuras" para me ver, diversas vezes... Eu sou uma mulher que adora isso! Gosto da paixão que é colocada em cada loucura cometida, gosto dessa vontade que é mais forte do que a razão... gosto daquilo que me transmitem estes, apenas e só, momentos perdidos no tempo. Talvez não seja esta a razão do vazio, do bocado perdido, mas é ela também uma situação cheia de intenção e vazia de realização... assim como todos os dias passados ao lado de outra pessoa, a partilhar bons e maus momentos ao ponto de desejar ter uma vida ao lado dela... e no final apenas saber que durante muito desse tempo, essa pessoa amava alguém que sempre esteve do outro lado da linha, do outro lado do ecrã, do outro lado do mundo, alguém que ouvia aquela palavra mágica que eu sempre quis ouvir " Amo-te"!
Às vezes não importa aquilo que damos a alguém, não importa a presença em todos os momentos, não importa os sorrisos que oferecemos e fizemos esboçar, as lágrimas que derramamos, não importa que tenhamos abdicado de tantas coisas em prol do incerto, pois o que continua a valer são os momentos que ficaram guardados num lugar especial do coração enquanto ele tinha espaço para alguma coisa.
Porque no fundo, o vazio é tudo aquilo que fica, quando a esperança se vai embora e quando já não temos espaço para mais nada, além daquilo que tivemos até aquele momento.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A minha mãe sempre disse que eu seria um bom actor...

"É melhor ficar com a Tereza ou ficar sozinho?
Não há forma de se verificar qual das decisões é melhor por porque não há comparação possível. Tudo se vive imediatamente pela primeira vez sem preparação. Como se um actor entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que vale a vida se o primeiro ensaio da vida é já a própria vida?"
Excerto de «a insustentável leveza do ser» de Milan Kundera

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vampiros


Pela face dela corriam lágrimas silenciosas, lágrimas de resignação, lágrimas de saudade de um tempo que nunca existiu, se é que isso é possível!
No fundo, ela sentia o vazio daquele espaço neutro em que se encontrava como se fosse dela própria, nenhuma daquelas paredes tinha um significado, podia ser tudo e nada ao mesmo tempo.
Ela procurava a cor naquele espaço monocromático como se tenta encontrar uma agulha num palheiro e no final ela própria se sentiu parte daquele espaço e se deixou arrebatar como se não tivesse outra escolha.
Naquele lugar, toda a sua luz e alegria eram roubadas, toda a sua força em acreditar na mudança, foi-se o esboçar do sorriso e veio a dor de se sentir só... como um vampiro que nos suga o sangue, naquele lugar toda a sua energia era levada para um lugar longínquo e a porta ganhava a forma de uma janela alta que lhe fazia perder a vontade de saltar.
Às vezes é preciso perceber que as quedas que nos permitem sair de um lugar infeliz, por muito que magoem, são preferíveis a viver eternamente com falta de luz.
E um dia todo o cinzento ganhará a sua luz original!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Dia da (i)mobilidade

De dia 16 a 22 de Setembro comemorou-se a Semana Europeia da Mobilidade.
Esta ideia nasceu em 2002, em Bruxelas, e pretende consciencializar os cidadãos europeus acerca do tema, dando-lhes a possibilidade de gozar de uma semana inteira de eventos de sensibilização. Ora aqui em Portugal, a metro do Porto e Lisboa não se podem dar ao luxo de ter uma semana inteira de sensibilização e optaram por marcar o início e o fim da semana com transportes gratuitos.
Eu que pago passe, nem sequer sabia desta "boa acção" da Metro e vi muitos andarem a correr todas as máquina para tentar validar o passe. Por si só, a iniciativa teria sido melhor se fosse devidamente noticiada.
De qualquer forma ontem deu-me a impressão que ninguém que tenha viajado no metro se tenha sentido sensibilizado em relação ao tema, porque mais parecia a comemoração do Dia Europeu da Imobilidade! Era ver as carruagens chegarem com pessoas espalmadas contra os vidros, mais pareciam sardinhas em lata! Eu, que tenho horários a cumprir e não viajo na direcção Estádio do Dragão, muito menos em dias de jogo, em que a situação é semelhante, mas aí não se comemora mobilidade e sim o "tudo ao molho e fé no árbitro(ou como quem diz, na corrupção)" (mazinha). :-)
Sinceramente não acredito que ontem, alguém se tenha sentido sensibilizado para a mobilidade, pois aquilo que deveria ser a percepção de que é bom andar de transportes públicos tornou-se um pequeno pesadelo para quem se sentiu empurrado à força para uma viagem tudo menos tranquila ou prazerosa.
As opiniões valem o que valem, mas sinceramente se já andava farta daquele ar condicionado fortíssimo sem qualquer justificativa, começo a pensar que a mobilidade para mim, vai ser feita em veículo próprio, onde a refrigeração é a meu gosto e o conforto é a palavra de ordem!

sábado, 19 de setembro de 2009

Correio Feminino #5

Que tolas são certas mulheres que ignoram serem elas as que mandam e governam!
À primeira vista, parece que o homem manda, mas é sempre a mulher quem decide. É também ela a que conquista.
Quando ela quer esconder alguma coisa, esconde com tranquilidade, consciente do seu poder e ascendência. Quando o homem faz algo de secreto, seja o que for, logo pensa: "Se minha mulher soubesse." Isto revela que a mulher manda... e que o homem teme.
Por isto digo: Tola, não lutes para impor a tua vontade, pois, ao final, tudo dará na mesma, e "ele" pensará como tu pensas.
Napoleão era um génio, ninguém ousava falar em sua presença; porém na presença de Josefina, Napoleão se punha de joelhos.
Não grites para impor as tuas ideias: atingirás o seu objectivo com bondade e ternura... Guerreando, jamais a mulher ganhou uma batalha...
Clarice Lispector

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

7


O 7 é um número místico por excelência,indica o processo de passagem do conhecido ao desconhecido; ele detém uma clara relevância,não apenas entre os ocultistas,porém, também em todas as religiões,das mais antigas às mais modernas.

7 são as artes.
7 são as cores do arco-íris.
7 é o número de dias da semana.
7 são as maravilhas do mundo antigo.
7 dias para a criação do Mundo
7 Divindades que comandam a Natureza
7 Planetas Sagrados
7 são as notas musicais com 7 escalas , 7 pausas e 7 valores.
7 são as virtudes: Fé, Esperança, Caridade, Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.
7 são os pecados capitais: Soberba, Ira, Inveja, Luxúria, Gula, Avareza e Preguiça.
7 são as Leis Universais: Natureza, Harmonia, Correspondência, Evolução, Polaridade, Manifestação e o
Amor.

A fonte de vida, a Água, iniciou este ciclo, teve 7 escalas para subir e descer, 7 pausas, viveu de esperança e força, sofreu pela ira e pela inveja, deixou-se andar por vezes com preguiça, evoluiu mas nunca deixou de ser polar e persistir na dualidade entre o certo e incerto, entre a felicidade e a tristeza,
teve correspondência sincronizada com os semáforos, mas foi manifestamente AMOR!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Candeeiro #16

Barcelona - Setembro 2009

Quando uma luz falha, existem sempre outras que funcionam...
Na vida também é assim, quando um amigo falha, existem outros que continuam ali para nos iluminar!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mâtitube



"Mâtitube é um espectáculo "todo o terreno". Um dispositivo que fala, um experiência plástica e sonora. Um trio emotivo arrastado para o inferno metronómico.
3 saltimbancos, 3 homens muito doces estão zangados. A sua casa desmorona-se, eles voam, caminham no ar, no ar do tempo."

Esta foi a minha primeira ida ao Mosteiro de São Bento da Vitória. Um espaço lindo e imponente!
O espectáculo, integrado no FIMP (Festival Internacional de Marionetas) não me deixou satisfeita, mas o espaço não deixou a desejar. Planeei que fossemos 4 mas a "família" aumentou para 6, ou melhor, para 7, à última da hora... as mulheres em maioria!!
Em Outubro há mais!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Séraphine



Um filme comovente, uma artista tão inocente e pura que deixa em nós uma sensação nostálgica!
Merecia ter tido uma melhor sorte! Mas nem sempre a vida é justa!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Barbie Suzie Dolly Polly Pocket


E começou assim a temporada no Teatro Nacional São João!
Na última temporada passei por lá muitas vezes e tive o privilégio de ver óptimos espectáculos (teatro, dança) na companhia de pessoas que gosto muito! Posso dizer que nos tornamos uma família que vai ao teatro com regularidade e aprecia cada momento, pois sem eles teria tido menos piada.
Confesso que psicologicamente não me sinto ainda preparada para voltar ao teatro e ainda ponderei um pouco ir aos Clã, mas depois de receber a carta com um convite (pessoal e intransmissível) achei que seria um desperdício não ir, até porque um concerto nunca é tão complexo como uma peça e eu nunca tinha visto os Clã!
Posso dizer que depois deste concerto, não perderei tanto tempo a ponderar, pois eles foram fantásticos. É muito bom poder apreciar um bom concerto, especialmente de uma banda portuguesa.
A Manuela Azevedo sempre energética, deixou-me boquiaberta pela voz, pela energia durante todo o concerto, pela teatralidade e pelos movimentos muito coordenados em cima de um tacão agulha. A banda exímia, não esquecendo as outras pessoas que contribuíram para abrilhantar ainda mais um concerto já de si bom:

Direcção cénica - Victor Hugo Pontes
Figurinos - Osvaldo Martins
Desenho de luz - Wilma Moutinho
Desenho de som - Nelson Carvalho, Nuno Couto
A todos Parabéns pela excelente noite que me proporcionaram.
A próxima peça vou passar, pois não estou preparada para 5h30 sentada a ver uma peça em lituano, baseada no livro "O Idiota" de Dostoiévski ... além de que tenho outros planos para esses dias, que passam por estar a alguns kms de distância do Porto!
Mas em breve estarei de volta ao roteiro cultural!

domingo, 6 de setembro de 2009

As escolhas... o destino!!

Menschenschlange - Sigmar Polke, Hamburgo

"A ideia do destino é algo que surge com a idade. Quando se tem os anos que tu tens, geralmente não se pensa nisso, tudo o que acontece é como se fosse fruto da nossa vontade. Sentimo-nos como um operário que, pedra sobre pedra, vais construindo à sua frente o caminho que deverá percorrer. Só muito depois é que se repara que o caminho já está construído, que alguém traçou para nós, e que só nos resta seguir em frente. É uma descoberta que costuma fazer-se por voltas dos quarenta anos, então começa-se a perceber que as coisas não dependem só de nós. É um momento perigoso, durante o qual não é raro escorregar-se para um fatalismo claustrofóbico. Para veres o destino em toda a sua realidade, tens de deixar passar mais alguns anos.
Por volta dos sessenta, quando o caminho que percorreste não era a direito mas cheio de encruzilhadas, a cada passo havia uma seta que apontava para um direcção diferente; dali partia um atalho, de acolá um carreiro cheio de ervas que se perdia nos bosques. Alguns desses desvios fizeste-os sem te aperceberes, outros nem sequer os viste; não sabes se os que não fizeste te levariam a um lugar melhor ou pior; não sabes, mas sentes pena. Podias fazer uma coisa e não a fizeste, voltaste para trás em vez de seguir em frente. O jogo da glória, lembras-te? A vida vai avançando da mesma forma.
Ao longo das encruzilhadas do teu caminho encontras as outras vidas, conhecê-las ou não, vivê-las a fundo ou desperdiçá-las depende da escolha que fazes num segundo; embora o não saibas, entre seguir a direito ou fazer um desvio joga-se muitas vezes a tua existência, a existência de quem está perto de ti."
Excerto de "Vai Aonde te leva o coração" de Susanna Tamaro


Quantas vezes não vi esses caminhos... quantas não voltei ao mesmo ponto de partida, só que mais cansada e mais madura, às vezes mais triste outras mais feliz por saber que podia ao menos excluir um dos caminhos. Quantas caras se foram apagando da minha mente e hoje não passam de meros traços abstractos, quantas ficaram e são bem presentes na memória e na vida quotidiana. Gosto desse jogo, gosto da oportunidade que nos é dada de andar para a frente e recuar enquanto é tempo, gosto de cada cicatriz deixada porque me lembra o que me fez doer, afinal a vida é feita disso mesmo, como escrevi noutro dia num e-mail:
"Eu sou igual às outras pessoas.. defeitos e virtudes, alegre e triste, apenas humana!"

terça-feira, 1 de setembro de 2009

TPM

Powerscourt Gardens - Irlanda

TPM - Tempo Para Meditar ou Tempo Para Mim, tanto dá!
Estou por aqui, pelo espaço certo da minha vida a vaguear até que a poeira, que me turva a vista, assente.
Preciso de tempo para mim, para que realmente sinta as decisões tomadas como certas, para que o chão não me falhe inesperadamente.
Procuro o silêncio, a solidão e o conforto da minha sala, onde me deito a olhar para o quadro do anjo.
Conforta-me saber que valeu a pena acreditar e sentir que de alguma forma ele podia ser meu (devido a 3 "forças externas" e fantásticas), pois acredito que aquilo que realmente tem de ser nosso, com mais ou menos esforço, um dia vai estar ali, do nosso lado, a acabar com o solidão, mas a partilhar o silêncio e o conforto!
Mas por agora, quero ser a única flor do meu jardim, a única com quem me devo preocupar para que não murche!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Vens ou ficas?


"Para mim as pessoas são como os elevadores. Tu entras e elas levam-te para cima ou levam-te para baixo. E eu precisava de pessoas que me levassem para cima."
Alejandro Monteverde, Director do filme "Bella"


Hoje eu não poderia estar mais de acordo com esta frase que a M.S. me fez chegar. É tudo uma questão de opção e cada um tem direito à sua...

Há quem precise descer para depois poder subir... há quem só queira subir e há quem não queira sair do sítio...
A última opção, para mim, nunca foi uma escolha...
Para mim é resignação e eu não consigo viver assim...
prefiro subir e descer,
prefiro crescer apesar da inconstância,
prefiro arriscar,

prefiro sentir tudo, bom ou mau,
prefiro que a intensidade me arrebate,
prefiro viver cada momento,
prefiro sentir aquele bater forte do coração na ansiedade do momento seguinte...
Por fim, preferia viver tudo isto contigo!