sexta-feira, 12 de março de 2010

Frases soltas...

...passeavam por Lisboa
Cascais - 2009


A propósito do pão de queijo - "Quentinho e com manteiga é muito bom!" (para o enjoo suponho)


"O Xarope se soubesse a caipirinha é que era bom!"


"Nunca tive tanta potência como agora!"


"Arranjei-me, fiz a barba, e fui esperá-la à estação. Quando ela me viu perguntou logo 
-Estás tão lindo! onde vamos? 
Vamos mas é para casa dar uma!"
(valeu a produção, digo eu)

quarta-feira, 10 de março de 2010

O Rei Édipo


Escrita por Sófocles por volta de 427 a.C., Rei Édipo foi considerada por Aristóteles o mais perfeito exemplo de tragédia. No mito de Édipo, confrontamo-nos com as nossas perguntas sobre a identidade do poder, a ascensão e queda dos vitoriosos, a incerteza da vida, a relação entre o público e o privado, o desígnio do destino em oposição ao livre arbítrio. Jorge Silva Melo apresenta uma nova versão desta tragédia que é uma das peças mais adaptadas e interpretadas em todo o mundo.
A peste atinge a cidade. E o Rei Édipo quer saber porquê. Juntam-se as gentes à porta do palácio. E o Rei vem ter com a multidão e diz:

Nas ruas,
 há gemidos, cantos fúnebres, lamentos.

Mas chora o quê a nossa cidade?

Que esperais?

De pergunta em pergunta, de resposta em resposta, os enigmas vão caindo. Édipo quer saber. Quer saber que maldição paira sobre a sua cidade, quer saber quem é. Vai descobrir uma verdade tremenda. Esta é a tragédia do saber.

E esta visita a Lisboa foi marcada por vários momentos em que a verdade surgia como a traiçoeira rasteira à felicidade, como se fosse ela que marcasse a diferença entre viver feliz ainda sem que ela se desvende, ou ser quase amaldiçoado quando ela se mostra por completo.
Como ouvi nesta peça "mesmo o que não  verdade entra-nos pelo coração adentro", e pode tornar-nos cegos como Édipo, para o resto das nossas vidas!

terça-feira, 9 de março de 2010

Don't tell me the truth




Perdemos a primazia de certos instantes, porque a vida assim nos obriga... desta vez foi excepção.

Não importa sermos os primeiros, é verdade, mas importa que façamos aquilo que realmente nos dá prazer e ir a uma exposição do João Figueiredo é algo que me faz sempre bem.

Consigo ficar imenso tempo a olhar cada quadro e adoro ver e rever. Há sempre tanto que nos escapa ao primeiro olhar, existem outras coisas que nos escapam nos restantes e ainda outras que não se desvendam...

Aqueles quadros têm vida, têm história, têm uma alma própria que lhes é passada pela mão do artista que lhes dá vida.
Não consigo explicar bem de onde surgiu a enorme admiração que tenho, mas é como acontece com as paixões, não se explicam! A verdade é que a minha primeira grande paixão está pendurada na minha sala.
Mas voltando a "Don't tell me the truth", é uma exposição que desvenda os segredos de alguns casais... não precisam de ser casais específicos, são casais nesta vida, milhares de casos... Os pormenores que desvendam esses segredos são sublimes e fazem-nos sempre ir mais além! São escolhidas aleatoriamente obras, dos mesmos autores ou não, e os homens e mulheres são reinventados e contam uma história sempre aos pares, excepto o quadro acima, que dá nome à exposição e que é foi o que deu início à ideia para esta exposição! Todos temos segredos e não existem relações perfeitas, esta exposição assim o demonstra!
Aquilo que parece, nem sempre é aquilo que é... "A verdade dói e pode estar errada" escreveu João Negreiros e se na verdade não soubéssemos toda a verdade acerca daqueles que amamos, não poderia ser o nosso amor, mais calmo e até mesmo mais perfeito? Para quê saber-se tudo, para quê tingir as histórias com cores que não lhes pertencem?!
Nestes últimos meses tenho pensado imenso nisso e na história que foi minha "Pouvez-vous m'aimer?" a resposta que tive foi "Flamboyant ces't moi", mas se pudesse escolher a partir desta exposição, eu seria "The Master" e teria a meu lado "The believer" pois apesar dos segredos que existem... cada um fica com os seus e a ligação permanece.
É uma exposição que aconselho vivamente, até porque as fotografias, por muito boas que sejam, não nos dão a dimensão e o brilho de olharmos os quadros de perto.


Até 10 de Abril na Câmara dos Azuis
Avenida Elias Garcia 157 A/B
Lisboa

segunda-feira, 8 de março de 2010

Feliz Dia da Mulher



Existem milhares de frases que poderia colocar aqui, mas esta para mim, engloba o que qualquer mulher deseja (a meu ver)*.

"Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas."
Lucius Annaeus Seneca
Ser um todo e não a parte.
Um beijo em especial às mulheres mais importantes da minha vida e que me aturam há 27 anos... a minha Mãe e a minha Avó.
*Peço desculpa, mas tive de repetir a do ano passado.. 

domingo, 7 de março de 2010

Precious



Em noite de óscares, esta foi a minha escolha para o serão!
Este filme que tinha tudo para fazer chorar, transmite-nos acima de tudo a esperança... apesar da tendência efémera (dadas as circunstâncias)! Mas efémera também pode ser a vida e sendo assim, fico-me pela esperança!
Precious é uma adolescente vítima de maus tratos, tratada como escrava pela mãe, violada pelo pai com quem acaba por ter 2 filhos, esta adolescente de 16 anos, nunca perde a capacidade de sonhar e é isso que dá vida e cor a este filme!
Além de que, devo confessar, ver o Lenny Kravitz como enfermeiro, foi precious!!

sábado, 6 de março de 2010

Nascer do Sol em Copacabana - Dezembro 2009

Hoje finjo esquecer-me do impossível!
Finjo que não existes para mim e que eu não existo para ti!
O que fazer quando alguém apaga o nosso nome da história da sua vida??
Como se os anos em comum pudessem ser apagados com um só gesto e pela vontade, certa ou não, de uma pessoa!
Ainda que sem uma explicação lógica, ainda que sem completa certeza de que este é o melhor caminho, a única coisa que nos resta é fingirmo-nos de mortos, mesmo sem estarmos!
É tudo uma questão de hábito e hoje não só te sinto bem distante, como também eu me sinto livre e feliz!
P.S.- Parabéns!!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Blackbird


"Quando decidi que queria encenar esta peça, a principal razão foi a de poder estar por perto enquanto dois actores se apoderam lentamente de dois personagens complexos e instáveis, cheios de dúvidas, incertezas e sofrimento. Como profundo admirador do trabalho de actor, pareceu-me sempre que seria um processo enriquecedor. E foi, claramente. Mas foi também preciso passar por todas as zonas escuras com eles, sofrer com eles e perdermo-nos por vezes, arriscando, experimentando, falhando. Ainda bem que tivemos sempre as palavras de David Harrower como mapa do caminho que havia a percorrer. Um mapa rigoroso para um caminho adverso e sombrio em tons cizentos, nunca preto no branco, onde os personagens se contradizem, se explicam, se acusam e que nunca nos deixam o conforto de uma certeza na busca da verdade. Das suas verdades, a de cada um. Verdades infestadas pelos seus percursos e escolhas, e pela forma como o mundo foi interferindo com ambos. Blackbird não nos conduz a nenhuma certeza. E por muito que Ray e Una procurem encontrar respostas um no outro, estão sempre sós na busca incessante de um significado, de uma razão. Como todos nós."
Tiago Guedes

E na verdade, depois de ver a peça, as respostas não são certas, abaladas estão a certezas de sabermos que o adulto é sempre o predador e a presa a inocente criança! Fica-nos a dúvida...

quinta-feira, 4 de março de 2010

So you go... and I stay!


Malas feitas para longe... sinto que a tristeza fez as malas para se ir embora, quem sabe de vez ou pelo menos por um bom tempo!
Neste instante, é como se atravessasse o oceano das mágoas em direcção a outro continente onde a nova presa a aguarda expectante, sem saber bem que aquela bela mala vermelha, vai vazia de conteúdo, leva apenas a frivolidade no sorriso!
Por cá, deixa o frio lá fora, mas o que sinto cá dentro é quente, como se todos os meus órgãos voltassem a sentir o prazer da vida!
Vai... faz boa viagem para onde quer que vás e se um dia voltares, fica sabendo que não és bem vinda!
The door is CLOSED!

terça-feira, 2 de março de 2010

Carta da Corcunda para o Serralheiro

 Catedral de Notre Dame

Senhor António:
O senhor nunca há de ver esta carta, nem eu a hei de ver segunda vez porque estou tuberculosa, mas eu quero escrever-lhe ainda que o senhor o não saiba, porque se não escrevo abafo.
O senhor não sabe quem eu sou, isto é, sabe mas não sabe a valer. Tem-me visto à janela quando o senhor passa para a oficina e eu olho para si, porque o espero a chegar, e sei a hora que o senhor chega. Deve sempre ter pensado sem importância na corcunda do primeiro andar da casa amarela, mas eu não penso senão em si. Sei que o senhor tem uma amante, que é aquela rapariga loura alta e bonita; eu tenho inveja dela mas não tenho ciúmes de si porque não tenho direito a ter nada, nem mesmo ciúmes. Eu gosto de si porque gosto de si, e tenho pena de não ser outra mulher, com outro corpo e outro feitio, e poder ir à rua e falar consigo ainda que o senhor me não desse razão de nada, mas eu estimava conhecê-lo de falar.
O senhor é tudo quanto me tem valido na minha doença e eu estou-lhe agradecida sem que o senhor o saiba. Eu nunca poderia ter ninguém que gostasse de mim como se gostasse das pessoas que têm o corpo de que se pode gostar, mas eu tenho o direito de gostar sem que gostem de mim, e também tenho o direito de chorar, que não se negue a ninguém.
Eu gostava de morrer depois de lhe falar a primeira vez mas nunca terei coragem nem maneiras de lhe falar. Gostava que o senhor soubesse que eu gostava muito de si, mas tenho medo que se o senhor soubesse não se importasse nada, e eu tenho pena já de saber que isso é absolutamente certo antes de saber qualquer coisa, que eu mesmo não vou procurar saber.
Eu sou corcunda desde a nascença e sempre riram de mim. Dizem que todas as corcundas são más, mas eu nunca quis mal a ninguém. Além disso sou doente, e nunca tive alma, por causa da doença, para ter grandes raivas. Tenho dezanove anos e nunca sei para que é que cheguei a ter tanta idade, e doente, e sem ninguém que tivesse pena de mim a não ser por eu ser corcunda, que é o menos, porque é a alma que me dói, e não o corpo, pois a corcunda não faz dor.
Eu até gostava de saber como é a sua vida com a sua amiga, porque como é uma vida que eu nunca posso ter — e agora menos que nem vida tenho — gostava de saber tudo.
Desculpe escrever-lhe tanto sem o conhecer, mas o senhor não vai ler isso, e mesmo que lesse nem sabia que era consigo e não ligava importância em qualquer caso, mas gostaria que pensasse que é triste ser marreca e viver sempre só à janela, e ter mãe e irmãs que gostam da gente mas sem ninguém que goste de nós, porque tudo isso é natural e é a família, e o que faltava é que nem isso houvesse para uma boneca com os ossos às avessas como eu sou, como eu já ouvi dizer.
Houve um dia que o senhor vinha para a oficina e um gato se pegou à pancada com um cão aqui defronte da janela, e todos estivemos a ver, e o senhor parou, ao pé do Manuel das Barbas, na esquina do barbeiro, e depois olhou para mim, para a janela, e viu-me a rir e riu também para mim, e essa foi a única vez que o senhor esteve a sós comigo, por assim dizer, que isso nunca poderia eu esperar.
Tantas vezes, o senhor não imagina, andei à espera que houvesse outra coisa qualquer na rua quando o senhor passasse e eu pudesse outra vez ver o senhor a ver e talvez olhasse para mim e eu pudesse olhar para si e ver os seus olhos a direito para os meus.
Mas eu não consigo nada do que quero, nasci já assim, e até tenho que estar em cima de um estrado para poder estar à altura da janela. Passo todo o dia a ver ilustrações e revistas de modas que emprestam à minha mãe, e estou sempre a pensar noutra coisa, tanto que quando me perguntam como era aquela saia ou quem é que estava no retrato onde está a Rainha de Inglaterra, eu às vezes me envergonho de não saber, porque estive a ver coisas que não podem ser e que eu não posso deixar que me entrem na cabeça e me dêem alegria para eu depois ainda por cima ter vontade de chorar.
Depois todos me desculpam, e acham que sou tonta, mas não me julgam parva, porque ninguém julga isso, e eu chego a não ter pena da desculpa, porque assim não tenho que explicar porque é que estive distraída.
Ainda me lembro daquele dia que o senhor passou aqui ao Domingo com o fato azul claro. Não era azul claro, mas era uma sarja muito clara para o azul escuro que costuma ser. O senhor ia que parecia o próprio dia que estava lindo e eu nunca tive tanta inveja de toda a gente como nesse dia. Mas não tive inveja da sua amiga, a não ser que o senhor não fosse ter com ela mas com outra qualquer, porque eu não pensei senão em si, e foi por isso que invejei toda a gente, o que não percebo mas o certo é que é verdade.
Não é por ser corcunda que estou aqui sempre à janela, mas é que ainda por cima tenho uma espécie de reumatismo nas pernas e não me posso mexer, e assim estou como se fosse paralítica, o que é uma maçada para todos cá em casa e eu sinto ter que ser toda a gente a aturar-me e a ter que me aceitar que o senhor não imagina. Eu às vezes dá-me um desespero como se me pudesse atirar da janela abaixo, mas eu que figura teria a cair da janela? Até quem me visse cair ria e a janela é tão baixa que eu nem morreria, mas era ainda mais maçada para os outros, e estou a ver-me na rua como uma macaca, com as pernas à vela e a corcunda a sair pela blusa e toda a gente a querer ter pena mas a ter nojo ao mesmo tempo ou a rir se calhasse, porque a gente é como é e não como tinha vontade de ser.
O senhor que anda de um lado para o outro não sabe qual é o peso de a gente não ser ninguém. Eu estou à janela todo o dia e vejo toda a gente passar de um lado para o outro e ter um modo de vida e gozar e falar a esta e àquela, e parece que sou um vaso com uma planta murcha que ficou aqui à janela por tirar de lá.
O senhor não pode imaginar, porque é bonito e tem saúde o que é a gente ter nascido e não ser gente, e ver nos jornais o que as pessoas fazem, e uns são ministros e andam de um lado para o outro a visitar todas as terras, e outros estão na vida da sociedade e casam e têm baptizados e estão doentes e fazem-lhe operações os mesmos médicos, e outros partem para as suas casas aqui e ali, e outros roubam e outros queixam-se, e uns fazem grandes crimes e há artigos assinados por outros e retratos e anúncios com os nomes dos homens que vão comprar as modas ao estrangeiro, e tudo isto o senhor não imagina o que é para quem é um trapo como eu que ficou no parapeito da janela de limpar o sinal redondo dos vasos quando a pintura é fresca por causa da água.
Se o senhor soubesse isto tudo era capaz de vez em quando me dizer adeus da rua, e eu gostava de se lhe poder pedir isso, porque o senhor não imagina, eu talvez não vivesse mais, que pouco é o que tenho de viver, mas eu ia mais feliz lá para onde se vai se soubesse que o senhor me dava os bons dias por acaso.
A Margarida costureira diz que lhe falou uma vez, que lhe falou torto porque o senhor se meteu com ela na rua aqui ao lado, e essa vez é que eu senti inveja a valer, eu confesso porque não lhe quero mentir, senti inveja porque meter-se alguém connosco é a gente ser mulher, e eu não mulher nem homem, porque ninguém acha que eu sou nada a não ser uma espécie de gente que está para aqui a encher o vão da janela e a aborrecer tudo que me vêm, valha me Deus.
O António (é o mesmo nome que o seu, mas que diferença!) o António da oficina de automóveis disse uma vez a meu pai que toda a gente deve produzir qualquer coisa, que sem isso não há direito a viver, que quem não trabalha não come e não há direito a haver quem não trabalhe. E eu pensei que faço eu no mundo, que não faço nada senão estar à janela com toda a gente a mexer-se de um lado para o outro, sem ser paralítica, e tendo maneira de encontrar as pessoas de quem gosta, e depois poderia produzir à vontade o que fosse preciso porque tinha gosto para isso.
Adeus senhor António, eu não tenho senão dias de vida e escrevo esta carta só para a guardar no peito como se fosse uma carta que o senhor me escrevesse em vez de eu a escrever a si. Eu desejo que o senhor tenha todas as felicidades que possa desejar e que nunca saiba de mim para não rir porque eu sei que não posso esperar mais.
Eu amo o senhor com toda a minha alma e toda a minha vida.
Aí tem e estou toda a chorar."
("Carta da Corcunda para o Serralheiro" (Maria José, heterónimo de Fernando Pessoa) 

Ouvi esta "carta" em duas ocasiões, no Turismo Infinito, pela voz da fantástica Emília Silvestre, que na altura me arrepiou ao dizer isto de uma forma tão terna, sentida, com aquele entoar de uma voz querida e sôfrega ao mesmo tempo, ora lento, ora rápido, sempre brilhante! A outra vez foi na centésima edição das Quintas de Leitura... e agora quero deixá-la aqui, para que este texto... fique!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Breaking Up Is Hard to Do

Barcelona - foto de T.G.

We don't have anything in common," I said. 
"We're two completely different people.
It doesn't make sense to stay together."
But then she started to rub my penis through my pants; 
I suddenly remembered that we both did like Indian food.
Hal Sirowitz

A separação é difícil
Não temos nada em comum – disse eu.

Somos duas pessoas completamente diferentes,

Não faz sentido nenhum que fiquemos juntos.

Mas ela começou a esfregar-me o pénis através das calças

E lembrei-me de repente que ambos gostamos de comida indiana…
Tradução de José Luís Peixoto

Porque o achei... assim... tão actual e adequado!! (ouvi nas Quintas de Leitura - n.º 100)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Leica Virgem - Quintas de Leitura n.º 100


Esta sessão das Quinta de Leitura tinha tudo para ser especial e a meu ver, não gorou as expectativas.
Confesso que antes de sair de casa, o cansaço quase me derrotava e o tempo não ajudava, mas a força da minha companhia fez-me vestir o casaco e sair... ainda bem!
É sempre bom sairmos para ver coisas novas, ouvir textos variados...
Ouvi alguns textos que já conhecia, fixei outros que nunca tinha ouvido, pela entoação dos novos leitores das "Quintas", que merecem os Parabéns! Grandes momentos...
Tive o prazer de assistir ao excerto da peça "Soliloquy about Wonderland", de Vortice Dance Company e fiquei com vontade de a ver toda, pois pareceu-me maravilhosa... aqueles efeitos visuais e a dança que parecia tão fácil, deixaram-me um sorriso nos lábios.
Raúl Peixoto da Costa, o jovem que fez há uma semana 17 anos, encheu ainda mais aquela sala e fez-me viajar ao som de Chopin ("Nocturno OP. 9 N.º3" e "Scherzo N.º 4")... viajei uns anos embalada por aquele som divinal...
Por fim, Pedro Lamares, alguém que gosto sempre de ouvir, apresentou o "Fraseador " e deu a conhecer mais alguns textos interessantes de autores portugueses e que me eram desconhecidos.
O concerto de B Fachada, não pude assistir, pois já era tarde quando terminou a 2.ª Parte. De qualquer forma, vim de lá bastante contente por ter ido ... com aquela sensação de sair da sala culturalmente mais rica!!

 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Frágil

 
Frankfurt 2008

Esqueci-me de te dizer que o meu coração era FRÁGIL!
Achei que ias perceber... que o ias tratar com carinho quando soubeste que grande parte dele te pertencia... mas hoje percebo que tu nunca soubeste realmente o quanto ele te pertencia e por isso, talvez, não o tenhas "transportado" com o cuidado necessário ao longo deste anos!
Estou a preencher o puzzle para ter a "tua parte" de volta... conforta-me a calma que sinto e apesar disso não deixa de me entristecer que tenhamos dito "Adeus" sem palavras, sem um abraço, sem olharmos nos olhos! Sei que um dia vou perceber que foi a única forma possível, hoje ainda não estou bem certa, mas já não me perturba!
Quando um não quer, dois não discutem e como tal, resigno-me à tua vontade, que já foi minha... um dia que não hoje!
Prefiro ficar com as minhas lembranças boas, com a minha esperança na mudança, com a minha força de acreditar que devemos lutar sempre pelo que achamos que vale a pena, até percebermos que não dá mais... tu valeste a pena para mim, cada dia, cada instante que vivi, que partilhei apenas e só, porque tudo o que fiz, foi com amor.
Fui obrigada a defender-me diversas vezes lembrando-te cada pormenor, cada surpresa, cada atenção especial... não para cobrar, mas para que pudesses perceber o quanto gostava de ti. Cortava-me o coração quando dizias que tudo foi mau, que eu não gostava assim tanto de ti e obrigavas-me a citar o que nunca devia ter sido dito ou lembrado, para te tentar mostrar o que afinal nunca poderás ver!
Podia sentir que foi tempo perdido, que estes 7 anos podiam ter sido bem diferentes, que eu deveria ter ficado longe, cada vez que me propus a tal e nunca ter cedido quando me pediste para voltar, mas não estaria a ser justa, nem com a história, nem com o meu coração! 
É triste chegar a uma altura em que pedir desculpa já não resolve nada e não me conforta saber que desta vez não fui eu que fiz algo para isso!
Apesar de toda a esperança depositada numa relação que nunca cheguei verdadeiramente a ter, consegui aguentar muitas coisas que me feriram, como por exemplo, quando desabafavas comigo acerca das tuas namoradas e uma vez referiste que nunca ninguém te tinha amado tanto como a tua ex-namorada... fiquei gelada, mas não disse nada e depois, uns instantes depois, olhaste para mim e disseste:
-Oh, desculpa, além de ti, claro!
E eu, fui buscar aquele sorriso e disse-te:
-Não te preocupes, sei que estamos a falar das pessoas que tu também amaste...
No fundo, quem era eu?! Apenas uma não-relação, alguém que sempre esteve lá, nos bons e nos maus momentos, que tentou a todo o custo perceber porque é que eu, que fazia contigo tudo o que uma namorada faz, nunca o cheguei a ser! Alguém que chorou contigo quando me falaste das tuas desilusões, dos teus amores, alguém que te disse para ires atrás se sentias que era algo mal resolvido, porque senão nunca serias feliz, alguém que te disse que ficava do teu lado, apesar disso.
Eu fui acima de tudo tua amiga, mas não poderia abandonar a minha tristeza quando depois de me tratares com todo o carinho e eu achar que era daquela vez que ia resultar e uma semana depois, tu me abraçavas e beijavas nas escadas rolantes a caminho do cinema e falavas da tua namorada! Namorada??! Mas há uma semana já tinhas namorada??! Como era possível!!!
Nunca percebi, nunca perceberei isso e muitas outras coisas que já não importam!
Fiquei, porque quis e porque me pediste... fiquei porque o meu coração ainda sentia esperança em ti, em nós!
Agora já não sente esperança nesse relacionamento, mas sentia naquilo que eu pensei que nunca iria morrer, a Amizade e a esperança que a luta que sempre fiz para superar esta vontade de "um amor para a vida" e tornar-me apenas e só, amiga, tivesse valido a pena! Na verdade se achasse que não fazia sentido ter-te na minha vida, se não me fizesses falta, há muito teria baixado os braços...
Se tivesse desistido, tenho a certeza que a minha vida teria sido muito diferente, não sei se melhor ou pior, apenas diferente! Não me vou arrepender de nada, porque não faz parte de mim viver com ressentimentos.
Hoje não me despeço de ti, de nós ou da nossa história... deixo apenas um Até já ou Até Sempre!!
Nota: e hoje não é a Lou que assina, mas a Di!
 
Imagem integral do 25h Hotel em Frankfurt

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Facas nas Galinhas


Esta história nasceu da ideia que David Harrower tinha no início de que, para se ser autor de teatro, era preciso estar-se muito zangado.
Depois de ter escrito a sua primeira peça com base na "zanga" que tinha chegou à conclusão que a mesma era má.
Como antídoto para esse desastre,  começou a escrever "Facas na Galinhas".

"A história inicial parte do que passei a saber sobre os moleiros. Os moleiros na Escócia eram muitas vezes postos de parte pela comunidade porque, como se diz no texto, existia uma lei que concedia ao moleiro uma percentagem da farinha que lhe era mandado moer. Os camponeses suavam no trabalho para conseguir o milho e o moleiro assobiava enquanto a mó trabalhava. E ainda por cima tinha direito a uma percentagem do suor do camponês. Inventei então a história de uma rapariga que, de cada vez
que vai ao moinho, se apaixona mais pelo moleiro.

(...)
Quando parti para a peça, comecei a imaginar como seria viver num mundo onde só se tivesse certas palavras para certas coisas. Céu era céu e não era mais nada. Se o céu está escuro, então diz‑se
chuva. Não há advérbios, palavras que descrevam. Inventei uma língua, as personagens falam como se tivessem acabado de aprender a falar. Foi aqui que apareceu o outro elemento de Facas nas Galinhas. Passou a ser uma história tanto sobre o crime e o amor como uma história sobre a linguagem.
A escrita desta peça permitiu‑me fazer duas grandes descobertas que marcam hoje a minha escrita. A primeira está relacionada com a linguagem. Escolhi não utilizar a linguagem realista, porque as personagens têm de ser mais do que são, têm de ir além de si próprias, têm de ser metafóricas. Não sei
se ainda acredito nisto, mas na altura convenci‑me de que a história não pode ser apenas uma história, mas que tem de ter qualquer coisa para além dela.
A segunda descoberta foi a estrutura. Aprendi a estruturar e isso é uma das coisas mais importantes na escrita."

* Excerto de “Há um segredo no coração de cada cena” David Harrower. Artistas Unidos:Revista. N.º 4 (Abr. 2001). p. 2‑4.

Altar Particular

 
Igreja de St. Stephens em Budapeste - 2007

Parei... por uns dias!
Voltei... por muito tempo (espero)!
Quebro e reconstruo os pedaços... demoro dias, meses...
As lembranças, essas ficam por muito tempo, algumas tenho a sensação que ficarão para sempre como se estivessem entranhadas na pele... já fazem parte de mim!
Não há forma de apagar da mente o que nos faz mal, resta-me a sensação de dever cumprido...
Restam-me a família os amigos, sempre, as músicas que marcam os momentos e me ajudam a acreditar que basta ter vontade de abrir a janela todos os dias, sorrir e acreditar que não é a falta de uma pessoa, a desilusão com algumas outras que vai tornar o mundo menos aprazível!
Ainda há tantas coisas que não vi, ainda há tantas coisas que não vivi.
Ouvi isto ontem: "Você precisa esquecer toda a saudade que você sente e construir novas lembranças"
E hoje acordei com uma enorme vontade de ser feliz.


Fica a música que me acompanhou nos últimos dias:


Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal
E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós
Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Mãe


Em A Mãe, a relação está invertida: é o filho que, espiritualmente, dá à luz a Mãe. Esta reversão da natureza é um grande tema brechtiano: reversão e não distribuição; a obra de Brecht não é uma lição de relatividade, de estilo voltairiano: Pavel desperta Pelagea Vlassova para a consciência social (aliás, através de uma práxis e não através de uma fala: Pavel é essencialmente silencioso), mas isso é um parto que só corresponde ao primeiro alargando ‑o.
(...)
Na ordem burguesa, a transmissão faz ‑se sempre do ascendente para o descendente: é a própria definição de herança, palavra cujo destino ultrapassa muito os limites do código civil (herdam ‑se ideias, valores, etc.). Na ordem brechtiana não há herança, senão invertida: morto o filho, é a mãe que o retoma, que o continua, como se fosse ela o jovem rebento, a nova folha chamada a desabrochar.
(...)
E contudo, há nela toda a “emoção”, condição sem a qual não há teatro brechtiano. Vejamos a representação de Helene Weigel
(mulher de Bertolt Brecht e que interpretou "A Mãe" em 1932)
, que tiveram a ousadia de achar demasiado discreta, como se a maternidade não fosse senão uma força de expressão: para receber de Pavel a própria consciência do mundo, ela torna ‑se, em primeiro lugar, “outra”; no princípio, ela é a mãe tradicional, a que não compreende, que reprova um pouco, mas que serve obstinadamente a sopa, que passaja a roupa; ela é a Mãe ‑Criança, isto é, toda a espessura afectiva da relação está preservada. A sua consciência só eclode verdadeiramente quando o filho morre: ela nunca se junta a ele. Assim, ao longo de todo esse amadurecimento, uma distância separa a mãe do filho, lembrando ‑nos que esse itinerário justo é um itinerário atroz: o amor não é aqui efusão, é essa força que transforma o facto em consciência, depois em acção: é o amor que abre os olhos. Será, então, preciso ser ‑se “fanático” de Brecht para reconhecer que este teatro queima?

* Excerto de “Sobre A Mãe de Brecht”. In A Mãe. Almada: Companhia  de Teatro de Almada, 2010.
(Textos d’Almada; 40). p. 20 ‑21. 
As 2h30 passaram  sem que se desse conta, é uma história de luta, de esperança que nos faz acreditar no poder da união, na luta de classes e que essa luta não tem idade. Pelagea Vlassova era imagem da força, da persistência que não se deixou derrubar pela morte do filho e que continuou a lutar por aquilo em que acreditava até ao fim... Teresa Gafeira vestiu "A Mãe", a meu ver, de alma e coração!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Destruição

Procuro-te na escuridão deste quarto,
deixo-me guiar no breu pela imaginação da tua respiração, a cada canto inverso ao meu,
tento tocar-te, mas escapas-me sempre,
foges com altivez, não deixas rasto.
Caio inúmeras vezes,
tropeço nas cadeiras antes inexistentes,
nos candeeiros de pé que se quebram.a meus pés.
Sinto que neste escuro tudo que me rodeia é destruição
e nem sinal de ti a não ser a respiração que juro ouvir...
Sinto o teu cheiro presente,
começo também a perceber a tua malícia,
o teu gosto em ver tudo aquilo que eu não consigo ainda ver (sem luz).
Imagino-te a sorrir neste momento...
agora que me encontro no chão a tentar fugir dos cacos espalhados.
Percebo que tenho sangue nas mãos,
mas não sinto dor,
a única sensação é a sofreguidão em tocar-te,
é querer a todo o custo que sejas tu a acender a luz,
a acabar com esta tortura...
sorridente como sempre,
ironicamente preocupado assim que as luzes te desvendam o rosto.
E eu acredito na tua bondade...
mais uma vez...
Até um dia!!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Electra

"As cenas são descoladas e aparentemente sem relação ou objectivo comum, no entanto, vão desvendando uma espécie de personagem misterioso.
É como se houvesse uma inquietação latente naquela mulher, onde cada momento e cada lugar por onde passa tanto são acrescentados como anulados pelos que se seguem.
Cada cena, cada passagem tem uma força estranha, uma vivência e uma certeza que se instala desde o primeiro gesto.
As acções banais entre as cenas carregam a carga do que acabou de fazer, tornando essas acções, também elas, em cenas.
É uma mulher que não pensa nem sente. Ela tortura-se, obriga-se, anula-se...
Castiga-se a passar o tempo congeminando uma nova forma de agir, de estar, de se lamentar, de se preparar, de lutar,... de jamais se esquecer.
Não há resignação, não há desistência, apenas por vezes uma espécie de falso e tranquilo abandono.
Ela mostra sem pudor a sua força e a sua fraqueza, a sua nobreza e a sua humilhação.
Ela é uma mulher assustadoramente presente na sua ausência.
Os seus olhares para o exterior de si são os únicos indicativos da sua espera onde o tempo não existe.
Ela nunca se expõe, apenas se dispõe."

Estas são as palavras de Olga Roriz e na verdade se as lermos antes de assistirmos a "Electra", talvez alguns momentos se expliquem, bem como se lermos um pouco da história da Electra da mitologia grega, mas a verdade é que nem tudo se poderá entender da forma que a interprete quis demonstrar.
A minha expectativa para este Solo, depois de ter visto no Dancem!09 Paraíso e Inferno da autoria da mesma Olga Roriz, era muito elevada. Reservei bilhetes para a estreia com a devida antecedência e estava expectante, até que depois de ler o que escreveu o meu amigo Mister fiquei desiludida mesmo sem ver. Porquê? Porque tenho a certeza que ele não teceria um comentário mau, se aquilo que viu lhe despertasse algo bom.
Por razões óbvias e muito minhas, não desistiria de ver por essa razão, pois tenho consciência que as opiniões podem divergir. No entanto, isso fez com que não levasse as pessoas que esperava levar, pois saberia que também elas não iriam entender o que eu teria visto de tão bom para recomendar Olga Roriz.
Electra não me encantou, apesar de em algumas partes admirar a rectidão de movimentos que fazia, devidamente estudados para demonstrar a angústia, a espera, a revolta... a técnica não está em questão, mas para mim, em vários momentos a ausência de movimentos poderia ter sido feita de outra forma... chega a cansar e não nos brinda com algo, que a meu ver, dignifique o seu nome.
A minha companhia também não ficou maravilhada, mas naquela estreia no Teatro Nacional São João, ninguém saiu da sala e aplaudiram bastante a artista, inclusive com vários Bravos atrás de mim!
Não deixa de ter mérito por não me ter agradado em Electra e continuarei a ver espectáculos assinados pela mesma, porque na verdade o conceito de "arte" é relativo e sinceramente não me parece a mim, que a maioria dos espectadores consiga compreender o que esta "Electra" nos quis transmitir...
Continuemos para o próximo. Esta sexta com " A Mãe" de Brecht!

Bom dia, não é da Tourline Express!!

E hoje, assim só porque acordei mais uma vez com o serviço de despertar da Tourline Express, decidi dedicar-lhe este post.
Não porque admire as competências desta transportadora, mas sim porque a sua incompetência é tanta, que merece os minutos que aqui vou perder.
Tudo começou porque gostava de um rapaz que tinha um 91! Como não falávamos tanto quanto eu desejaria, decidi comprar um cartão da Vodafone para que as chamadas ficassem mais baratas. Resultou... passei a receber mais chamadas dele, mas comecei também a receber chamadas de todo o país e às vezes até de Espanha.
Tudo porque peguei naquele específico pacotinho com um número que era exactamente igual ao de uma transportadora com sede em Madrid de seu nome, Tourline Express.
Pergunto-me porque é que os números de Madrid têm de começar por 91??
De início não percebia bem, até pensei que eram aquelas chamadas de brincadeira, mas depois percebi que para ser uma brincadeira, várias pessoas, de várias cidades, tinham decidido brincar especificamente comigo. Não batia certo!!!
Um dia, depois de atender mais uma chamada "É da Tourline Express?" Eu respondo "Não!!! Mas já agora podia dizer-me como obteve este número?"
Então a pessoa explicou-me que tinha visto na internet que para reclamar a encomenda que deveria já ter recebido, eles indicavam o meu número com a indicação "Porto" em baixo.

Ora vamos dizer que estas pessoas é que são tolinhas por acharem que um 91 seguido de 7 algarismos e com indicação Porto, Lisboa, Freixo de Espada à Cinta e afins, podia lá ser um número da Vodafone?? Nunca!! Deviam logo perceber que a indicação da cidade se refere que o atendimento será feito com um sotaque de cada região e que por ser de uma empresa de Espanha, as pessoas saberiam logo que têm de marcar 0034!
Eu, na minha boa fé, pesquisei na internet o email da empresa e escrevi com educação, explicando o que estava a acontecer e pedindo encarecidamente que tivessem a atenção de sempre que colocassem aquele número, usassem o indicativo do país.
Respondeu-me uma espanhola toda despachada, dizendo que de facto eles tinham aquele número, mas que era um número de Madrid e não percebia porque é que eu é que recebia as chamadas... Burra ou espanhola, não sei bem o que pensar?
Certo é que também recebi várias chamadas de Espanha que por verem a indicação Portugal se davam ao trabalho de colocar o 00351... de loucos não??!
Não resultou o meu email... escusado será dizer que as chamadas não pararam e que por outras 4 vezes enviei emails aos quais não obtive resposta.
No último chamei-os pelo nome: "incompetentes, burros, prestadores de mau serviço", acabei por perguntar se gostavam que lhes pedisse para me pagarem o serviço que lhes presto, por consideração às pessoas que me ligam e às quais digo que têm de marcar o indicativo de Espanha??!! Algumas ligam de novo "Desculpe, sabe-me dizer o indicativo de Espanha?" (sim, é verdade)
Pensei em tornar este, um número de valor acrescentado, mas depois desisti da ideia.
Na época de Natal é uma verdadeira festa. Em vez de ter amigos a desejar-me "Bom Natal!" tenho pessoas a perguntar-me "Quando é que vai chegar a encomenda para...??", claro que muitas vezes terminamos com o delicado "Bom Natal e Bom Ano" porque é época de amizade e amor.
Como moro sozinha e passo muito tempo só, por vezes estas chamadas quebram o silêncio e dão uma agitação ao dia! Às vezes imagino como são as pessoas do outro lado... é como tentar adivinhar a cara de um locutor de rádio.
Lembro-me de um dia, depois de ter sido operada e numa fase em que quase não podia sair de casa, recebi uma chamada de um homem com uma voz "inspiradora", tivemos ainda um tempo à conversa, ele voltou a ligar dizendo que tinha alertado a empresa e que esperava que aquilo não voltasse a acontecer! Muito querido e não deixei de sorrir!
Lembro-me também de uma senhora dos seus 60 anos(digo eu) que estava à espera de uma planta que lhe tinham enviado pela transportadora e ela estava muito preocupada, pois estava prestes a ser operada e como morava sozinha não sabia o que fazer caso a planta não chegasse antes de ela ir para o Hospital. Era uma senhora tão doce, tão querida... lembrou-me a minha avó; eu tentei explicar à senhora que tinha de marcar o "tão falado" 0034 antes do número indicado. Ela pediu-me imensa desculpa e eu desejei que ela recebesse a planta antes de ser operada e que entretanto a operação corresse bem.
Há outros dias em que não estou tão bem disposta e não me apetece sequer explicar nada a ninguém. Tenho amigos que me chamam "Neura", porque muitas vezes não atendo números que não conheço!
Pudera...
Já tive casos em que as pessoas do lado de lá, bastante irritadas depois de eu só atender à décima chamada e ter desligado outras tantas, quase me insultaram antes de qualquer coisa... outras vezes apetece-me fazer o contrário... Certo é que não me posso queixar de que o meu telefone não toca... toca sim, só que muitas vezes não é para mim!

Nota: hoje apercebi-me que o slogan da empresa é "Tourline Express: Como si lo llevarás tú mismo", Pessoas que não sabem de onde vêm, nem para onde vão?! :-)